Os pequenos produtores estão ajudando a impulsionar o biogás no Brasil. Eles representam 79% das 755 plantas de biogás em funcionamento e são responsáveis por 8% da produção total.

As plantas classificadas como de pequeno porte produzem de 500 mil a 1 milhão de Nm³/ano. Em 2021, as 595 plantas desse tipo produziram 178.337.233 Nm³, segundo o levantamento “Panorama do Biogás no Brasil”, produzido pelo CIBiogás.

É um número mais baixo que os 10% oriundos das plantas de médio porte e os 82% vindos das de grande porte, mas indica o potencial da atividade na agropecuária.

O setor, que envolve atividades de criação de animais (suínos, aves, bovinos e caprinos, entre outros) e o aproveitamento de substratos como esterco, efluente proveniente do manejo dos dejetos, restos de ração e carcaça de animais mortos não abatidos, é responsável por 80% das plantas em operação.

Os setores industrial e de saneamento reúnem 11% e 9%, respectivamente, das plantas.

Localizadas normalmente junto aos produtores, as plantas de pequeno porte possibilitam a geração de energia para consumo próprio e, quando há excedente, comercialização para a rede de distribuição.

Além dessa questão econômica, traz benefícios ambientais significativos, pois os resíduos seriam descartados.

Segundo a ABiogás (Associação Brasileira do Biogás), se todos os resíduos produzidos pela agropecuária e pelo saneamento tivessem aproveitamento energético, seria possível suprir 35% da demanda de energia elétrica do país.

Estima-se que o potencial total do país seja de 120 milhões de m³ por dia. O setor sucroenergético representa quase 50% do potencial, seguido da cadeia de proteína animal (32%) e do setor de saneamento (6%).

 

Metano Zero

De olho nessas perspectivas, o governo federal lançou, neste ano, o Programa Nacional de Redução de Metano de Resíduos Orgânicos – Metano Zero, que tem o objetivo de reduzir emissões de gases de efeito estufa, custos de combustível e energia, transformando os produtores rurais e gestores de aterros sanitários em fornecedores de combustível e energias limpas e renováveis, além de biofertilizantes.

O foco de atuação está voltado para o aproveitamento de resíduos ou produtos orgânicos como fontes de biogás e biometano. A intenção é fomentar o desenvolvimento sustentável, com base na cooperação para o financiamento, incentivos, desoneração, capacitação, desenvolvimento, transferência e a difusão de tecnologias e de processos. Um das possibilidades para os pequenos produtores é o auxílio para implantação de biodigestores.

 

Produção de biogás em alta

Atualmente, são 109 plantas de médio porte, com produção anual entre 1 e 5 milhões de Nm³/ano, e 51 de grande porte, que produzem de 5 a 125 milhões de Nm³/ano.

Em 2021, a soma da produção de todas as plantas do país chegou a 2,3 bilhões Nm³, mais que o dobro do resultado de 2017, em uma curva crescente que teve 2,14 bilhões em 2020 e com estimativa de pelo menos 2,8 bilhões em 2022.

Os dados compilados referentes a 2021 mostram que 102 novas plantas começaram a funcionar (aumento de 16% em relação à quantidade de 2020) e houve acréscimo de 10% no volume de biogás produzido, com 209 milhões Nm³ extras.

 

Minas e Paraná têm mais plantas de biogás

No total, 20 estados possuem plantas de biogás. Minas Gerais, com um total de 251 plantas (25 novas) e Paraná, com 159 (22 novas) lideram o ranking dos estados com mais plantas ativas. Santa Catarina e Goiás registraram crescimento de 28% e 24% no número de plantas em operação, respectivamente.

Em 2021, foram registradas no BiogasMap as primeiras unidades geradoras de biogás com aproveitamento energético em Alagoas e Rondônia. Já os estados do Acre, Amapá, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe permaneceram sem registrar a ocorrência de plantas de biogás que realizem algum tipo de aproveitamento energético.

Das 811 plantas de biogás catalogadas, 755 estão em operação com aproveitamento energético (93%), 44 estão em fase de implantação (5%) e 12 estão passando por reformulação ou reforma (2%) e devem voltar a operar em 2022.

Em números absolutos, houve um crescimento de 20% em comparação ao no ano anterior (675 plantas), sinalizando que o mercado continua em fase de expansão.

 

Resiliência do setor de biogás

Mesmo em um cenário de pandemia, com as flutuações no preço do barril de petróleo, alta do dólar – que desencadeou o aumento nos preços dos combustíveis e do GLP – e crise hídrica, a indústria do biogás brasileira continua aquecida.

Segundo a ABiogás, é crescente o desenvolvimento da indústria nacional de fornecedores de bens e serviços para o setor de biogás e isso tem ajudado a diminuir os custos de instalação de plantas de biogás e biometano no país.

A ABiogás estima o potencial teórico de produção de biogás brasileiro em 84,6 bilhões de metros cúbicos por ano, o que seria suficiente para suprir 40% da demanda interna de energia elétrica e 70% do consumo de diesel.

Considerando o cenário de 2,3 bilhões de metros cúbicos de biogás gerados em 2021 pelas 755 plantas em operação, o Brasil explora apenas 3% desse potencial. Já quando o potencial de produção em curto prazo é considerado, ou seja, levando em conta apenas resíduos e efluentes que não apresentam obstáculos ao acesso imediato dentro das cadeias da pecuária, da indústria e do saneamento – estimado em 10,8 bilhões de metros cúbicos por ano – constata-se que 79% desse potencial ainda pode ser explorado.

 

Aplicações do biogás

O uso do biogás para geração de energia elétrica foi a principal aplicação energética realizada nas plantas de biogás brasileiras (87%), resultando no uso de 71% do volume de biogás produzido para geração de energia elétrica.

O aproveitamento térmico do biogás é feito em 11% das unidades em operação para utilidades como a queima em caldeira para produzir vapor, a secagem de grãos para produzir ração, o aquecimento de aviários e a secagem de lodo de esgoto. Em termos de volume, aproximadamente 7% do biogás produzido em 2021 teve como destino a geração de energia térmica.

Unidades que utilizam o biogás para produzir energia mecânica para movimentar turbinas, por exemplo, somam seis plantas.

Unidades que possuem sistema de purificação de biogás com geração de biometano para autoconsumo ou comercialização somam dez plantas, o que equivale a 1 % do total nacional. Entretanto, em termos de volume, elas correspondem a 23% do volume total de biogás produzido em 2021.