Governo federal lança programa Metano Zero para estimular produção de biocombustível
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O biometano tem sido visto como um dos propulsores da mobilidade sustentável. Esse “combustível verde” está no centro de uma série de iniciativas pelo mundo e acaba de ser priorizado em uma nova ação do governo federal.  O programa Metano Zero, que vai estimular a transformação desse gás de efeito estufa em biocombustível, com suporte financeiro de bancos públicos, tem previsão de lançamento em março de 2022.

Em entrevista à Rádio Nacional, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, anunciou afirmando que “o Brasil tem potencial de geração de biometano que vem dos resíduos sólidos urbanos [aterros sanitários] e rurais, especialmente de aves, suínos, açúcar e álcool”.

Segundo ele, o biocombustível pode substituir o diesel de máquinas pesadas da produção agrícola, entre outras finalidades. O ministro disse que o projeto está sendo preparado pelo governo e será lançado após a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Citou ainda a necessidade de organizar o mercado de carbono no país. Para ele, com o mercado de crédito de carbono regulado, o Brasil poderá reduzir a emissão do gás, com certificação, e exportar o crédito para países que buscam alcançar a meta.

Trunfos do Brasil com o Metano Zero

Leite citou vantagens competitivas do Brasil, como o custo menor para redução de emissão, a criação de regras para garantir a qualidade do carbono e a diversidade de fontes, como as de energia renovável e a proteção e recuperação de florestas nativas.

Em novembro de 2021, durante a COP26, em Glasgow (Escócia), o Brasil aderiu ao “Compromisso Global de Metano”, que prevê a diminuição voluntária de 30% das emissões em todo o mundo até 2030. De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o metano é 80 vezes mais prejudicial para o aquecimento global do que o dióxido de carbono.

Cerca de outros cem países também se comprometeram com o objetivo. O acordo impõe reduções das emissões de fontes como aterros sanitários, mineração de carvão, processos industriais, sistemas de óleo, gás e agricultura.

Na ocasião, o ministro anunciou a nova meta de redução de emissões de gases do efeito estufa no país, que passou de 43% para 50% até 2030, além da neutralidade de carbono, prevista para ocorrer até 2050.

Descarbonização de transportes

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2031 da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) projetou o biogás como rota para descarbonizar transportes. O documento destacou que a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e o Programa Combustível do Futuro devem impulsionar investimentos e alavancar novos combustíveis no país.

O biometano é tido como um produto estratégico nos processos de descarbonização, pois existem poucas alternativas sustentáveis de energia térmica no país, como a biomassa. Ele pode abastecer qualquer veículo com kit de GNV (gás natural veicular), com a vantagem de ser renovável.

O biometano pode ainda reduzir em até 90% as emissões de poluentes, em comparação com a gasolina, e sua utilização previne o lançamento de metano na atmosfera, contribuindo para diminuir o aquecimento global. Como combustível, tem eficiência até 30% maior que o etanol, garantindo também economia.

Segundo a Associação Brasileira do Biogás e Biometano (ABiogás), se todo o potencial brasileiro fosse aproveitado integralmente, o biometano poderia abastecer cerca de 25% da frota brasileira.

Por meio de iniciativas como o programa Metano Zero, metas de redução de gases do efeito estufa e neutralidade de carbono, o biogás se torna protagonista da sustentabilidade mundial, com grande potencial de aproveitamento nas próximas décadas.

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