Você sabe como a  geração distribuída de energia elétrica por meio do biogás é gerada e como isso pode ajudar pequenos produtores a terem uma renda extra e ainda ajudar o meio ambiente?

História do biogás e da GD

A geração distribuída no Brasil existe desde 1990, e a regulamentação da produção independente de energia vem sendo implementada no país por meio de legislações, sendo que as primeiras leis foram criadas para facilitar a implantação de pequenas usinas para a mini e microgeração.

A partir de 2004, a comercialização de energia e o conceito de geração distribuída passaram a integrar a política energética, permitindo a comercialização de energia elétrica tanto com as concessionárias via chamadas públicas como outros agentes ligados ao sistema elétrico nacional e, posteriormente, regulamentando o caso específico de usinas de geração distribuída. A evolução das discussões sobre geração distribuída culminaram em 2012 na resolução n° 482 da ANEEL voltada para mini e microgeração distribuída

A Granja de São Pedro  foi a escolhida para inaugurar o primeiro projeto a se conectar à geração distribuída no Brasil, antes mesmo de qualquer outro tipo de fonte. A granja, que é da família Colombari, está localizada em São Miguel do Iguaçu, no oeste paranaense e é um projeto do CIBiogás, pioneiro antes mesmo da Resolução da ANEEL.

A alta produção de suínos aliada à necessidade de destinação correta dos dejetos dos animais apresentou uma oportunidade para obtenção de biogás e geração de energia elétrica, o que potencializou os aspectos ambientais, a segurança energética e maior qualidade no suprimento de eletricidade na área rural, apoiando a cadeia do agronegócio.

Geração distribuída e o biogás

Granja São Pedro Colombari, localizada em São Miguel do Iguaçu (PR)

Biogás e a Geração Distribuída: O que é a Geração Distribuída?

Geração Distribuída se caracteriza pela geração de energia elétrica na mesma região onde ocorre o consumo ou próximo a ele, preferencialmente a partir de fontes renováveis como o biogás. .

Além disso, o sistema de compensação atualmente em vigor no Brasil permite ao produtor compensar a energia consumida na unidade, ou seja, o produtor utiliza a rede elétrica da concessionária tanto para consumir, quanto para enviar sua própria energia elétrica, e no final do mês o valor enviado é compensado do valor consumido, reduzindo o valor da fatura. Legal né? E dependendo da produção, é possível reduzir o custo com energia, e ainda o excedente poder ser compensado nas próximas faturas por até 5 anos, garantindo economia com os custos da energia elétrica do produtor. Mas é importante ressaltar aqui que o custo zerado é apenas de consumo de energia elétrica, ainda cabendo a taxa de disponibilidade e impostos da concessionária. 

Para zerar de vez este custo, há ainda a possibilidade de operação de modo isolado da rede elétrica da concessionária, protegendo o produtor de tarifas maiores de energia no horário de ponta e permitindo a venda da energia no mercado livre, para os casos de plantas de maior porte. Para isso o produtor precisa se desvincular da rede, não recebendo mais energia da concessionária.  e

Micro e Minigeração Distribuída

A micro e minigeração distribuída foram definidas oficialmente no Brasil pela  Resolução Normativa ANEEL nº 482/2012, que entrou em vigor no dia 17 de abril do mesmo ano como sendo centrais geradoras de energia elétrica que utilizam cogeração qualificada ou fontes renováveis de energia elétrica, conectadas à rede de distribuição.

Segundo as novas regras, válidas desde 1º de março de 2016, a classificação da geração distribuída como micro e minigeração é determinada pelo limite da potência instalada,endo microgeração distribuída a central geradora com potência instalada até 75 quilowatts (KW); e minigeração distribuída aquela com potência acima de 75 kW e menor ou igual a 5 MW, conectadas na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras.

Geração Distribuída Através do Biogás

O biogás é um tipo de biocombustível produzido a partir da decomposição biológica de materiais orgânicos, podendo ser de origem vegetal ou animal, que ao se decomporem na ausência de oxigênio, produzem uma mistura de gases, sendo a maior parte composta de metano.

O biogás surgiu com o intuito de contribuir com a boa gestão dos resíduos, transformando o que seria um passivo ambiental em ativo energético. Ou seja, esses resíduos que seriam apenas descartados, se transformam em gás metano, que é um gás combustível e pode ser aproveitado para geração de energia térmica, energia elétrica e combustível veicular.

Ao transformar e aproveitar esse gás para geração de energia elétrica, o produtor então poderá se beneficiar da geração distribuída.

Um outro exemplo de projeto é a instalação da usina termelétrica em Entre Rios do Oeste, Paraná, que hoje abastece diversos prédios públicos com energia derivada do biogás, além de promover uma boa gestão de resíduos na cidade, o projeto ainda é um modelo de negócios, que contribui para a movimentação da economia da cidade.

Geração distribuida e o biogás

Minicentral Termelétrica localizada em Entre Rios do Oeste (PR)

Benefícios da GD

A geração distribuída de energia elétrica, seja ela produzida com o consumo de biogás ou de qualquer fonte renovável, é uma modalidade que traz inúmeros benefícios sociais, ambientais e financeiros.

Entre os benefícios está a contribuição para a diversificação da matriz energética tanto regional, como nacional, o que resulta  em maior segurança do suprimento energético, concomitante a um custo menor de produção.

Outro benefício que podemos citar é a diminuição da dependência do parque gerador despachado centralizadamente, mantendo reservas próximas aos centros de carga e, a contribuição para a abertura do mercado energético, com a criação de regulamentação jurídica própria, que pode representar uma grande oportunidade comercial para estes produtores descentralizados de energia.

Por fim, do ponto de vista ambiental, o que podemos citar, é a diminuição do uso de fonte de energias não renováveis e contribuição da redução de emissão de gases de efeito estufa.

 

Escrito por: Valquíria Oliveira.

Revisão Técnica: CIBiogás.