Com foco no potencial de produção e aplicação do biogás, o CIBiogás tem expandido seus projetos para o setor de mobilidade elétrica. No P&D da COPEL (PD-2866-0519/2019 – Interface de inovação multiagente envolvendo a indústria automobilística, os sistemas de energia e infraestruturas de mobilidade elétrica para eletrovias inteligentes), e em parceria com a Universidade de Santa Maria (UFSM), coordena um projeto para viabilizar o desenvolvimento de infraestrutura de carregamento no estado do Paraná.

Em um mundo onde a redução da emissão de CO2 e da poluição é uma preocupação crescente em todas as nações, a opção por disseminação e uso de veículos elétricos (VE) é cada vez mais atraente. A preferência em substituir a frota de veículos de combustão interna por VE é justamente para reduzir a emissão de gases do efeito estufa e aumentar a qualidade do ar, especialmente nos centros urbanos, uma vez que os veículos elétricos emitem gases poluentes e no Brasil replicam a pegada ambiental da matriz elétrica que é primordialmente renovável.

O fato é que o mercado global de veículos elétricos (VEs) está aquecido. Países como os da China, Estados Unidos e países Europeus (Alemanha, Noruega, Países Baixos, Reino Unido, Suécia, entre outros) já estão se estabelecendo nesse setor há alguns anos. A figura 01 mostra as porcentagens de vendas de VEs por segmento no ano de 2020 no mundo.

Figura 01. Porcentagens de vendas de VEs por segmento no ano de 2020; Fonte: adaptado de BNEF, 2021.

O Brasil ainda vivencia a maturação dessa cadeia, com a necessidade de expandir suas infraestruturas de carregamento, suporte em políticas públicas e tecnologia. Para se aprofundar no tema, a equipe de Inteligência de Mercado do CIBiogás realizou um levantamento dos stakeholders da cadeia de VEs e do arcabouço regulatório relacionado a essa cadeia dos seguintes países: Alemanha, Brasil, China, EUA, Noruega, Países Baixos e Suécia.

Ao comparar a legislação e stakeholders dos países citados em relação ao Brasil, foi possível observar que esses países estão mais avançados no mercado de VEs justamente por terem tido um suporte sólido em políticas públicas para avançar esse setor, seja em relação a criação de infraestrutura de recarga, incentivos para montadoras ou subsídios de compra para consumidores. Além disso, ao contrário do Brasil, os demais países citados têm investido fortemente no desenvolvimento de tecnologias voltadas para o mercado de VEs.

Os VEs são melhores para o meio ambiente e trazem, também, como benefício, a melhoria na qualidade do ar dos centros urbanos. Por não serem movidos à combustão, os VEs não emitem monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx), hidrocarbonetos (HC), óxidos de enxofre (SOx) e material particulado, que são lançados no ar pelos veículos de combustão tradicional, reduzindo, assim, de forma considerável, a poluição do ar. A grande vantagem para o Brasil é que nossa matriz elétrica é primordialmente de fontes renováveis, ao contrário de países como a China e EUA, que tem como suas principais fontes o carvão e o petróleo, respectivamente.

E é nesse momento que o biogás entra como elemento estratégico. Devido à força agropecuária do Brasil, possuímos um elevado potencial de produção de biogás. O uso de resíduos agroindustriais permite uma produção descentralizada de energia, com grande relevância na produção de energia elétrica, por meio de biogás.

Além disso, todos os grandes centros urbanos do país possuem aterros e estações de tratamento em sua proximidade para destinação dos resíduos urbanos gerados. Essas são oportunidades adicionais para a geração de biogás e energia elétrica que, além de promover a descentralização da produção de energia, e levar o consumo  próximo dos principais centros, pode abastecer as estações de carregamento com biometano, contribuindo também para a economia circular do setor.

Uma vez que a infraestrutura de carregamento de VEs esteja abastecida de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, a emissão de gases do efeito estufa pode ser reduzida significativamente. Essa é a essência estruturante para a evolução do mercado de veículos elétricos no Brasil e no mundo.

O projeto P&D que vem sendo desenvolvido pelo CIBiogás e UFSM tem levado em conta diversos fatores que podem impactar a distribuição de energia no país. Um dos objetivos é a criação de uma plataforma multiagente, que seja capaz de interagir com diferentes integradores da cadeia de VEs, possibilitando, dessa maneira, a comunicação direta com a distribuidora de energia. A partir do momento que o setor de VEs estiver devidamente estruturado no país, a geração de biogás para energia elétrica terá um papel ainda mais importante.

Conteúdo elaborado pela Equipe de Inteligência de Mercado – CIBiogás