O evento abordou temas como o mercado de hidrogênio e a regulação, assuntos que devem ser debatidos em 2022

2022 começou prometendo ainda mais novidades para o biogás e as fontes que permeiam esse ramo. O 2° Congresso Nacional de Hidrogênio, lançado pela Associação Nacional de Hidrogênio (ABH2) em cooperação com o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE) aconteceu em dezembro e trouxe novas perspectivas sobre o desenvolvimento da cadeia do hidrogênio no Brasil.

O CIBiogás participou do encontro online através da moderação do painel “Produção do Hidrogênio Sem Emissões” pela colaboradora Aline Scarpetta, Coordenadora de Estruturação de projetos no Centro. Parabenizamos a iniciativa do evento e a criação da Associação Nacional do Hidrogênio, entidade tão importante para o avanço do hidrogênio.

O painel também teve a participação de representantes da Engie, Air Liquide e ABiogás, permitindo o compartilhamento sobre informações quanto ao mercado, produção e uso hidrogênio sem emissões de poluentes que é uma das grandes apostas para a descarbonização da matriz energética mundial, devido a sua grande capacidade energética e baixa emissão de gases do efeito estufa.

Aline Scarpetta comenta sobre a sua participação no evento. “O Brasil possui um enorme potencial para tornar-se líder no movimento mundial de transição energética para a introdução de uma economia neutra em carbono por meio do hidrogênio. Nesse contexto destaca-se a oportunidade de obtenção desse energético a partir da valorização do biogás, uma vez que temos uma grande disponibilidade de resíduos orgânicos, dos mais diversos tipos, em todo o território brasileiro”

Mercado & Regulação

Além das discussões sobre a adoção do hidrogênio no mercado, as regulamentações e políticas necessárias para a sua consolidação no país, as metas globais para a descarbonização da matriz energética mundial e a transição energética, foram outros temas muito bem explorados pelos painelistas.

O hidrogênio é uma das fontes com potencial otimista para contribuir com a redução da emissão dos gases de efeito estufa (GEE), visto a sua grande capacidade energética e baixo lançamento de poluentes. A expectativa é que a sua produção seja encaminhada para a produção descentralizada, ou seja, uma geração em pequena escala e próxima aos sítios de consumo para o maior aproveitamento da alternativa. A produção descentralizada proporciona a redução dos custos com transporte, favorecendo o hidrogênio verde a frente do hidrogênio a partir de fontes fósseis

Sendo assim, de acordo com a conferência sobre o clima da Organização das Nações Unidas, a COP-26, focado em acordos climáticos entre diversos países para a redução de GEE,  espera-se que as iniciativas apresentadas no Congresso Nacional de Hidrogênio e as metas firmadas na COP-26, sejam um incentivo para o desenvolvimento da bioeconomia no país, focada em processos carbono neutro que estimula um setor emergente conhecido como “Power to X” (PtX), conceito que propõe o desenvolvimento de tecnologias para a produção de combustíveis e compostos químicos utilizando energia e matéria-primas renováveis e com balanço neutro de carbono, a fim de substituir os produtos de origem fóssil.

A estratégia permite que os setores econômicos com alta quantidade de emissões, como o ramo da aviação, transporte marítimo, indústria química, siderurgia, fertilizantes e indústrias de cimento operem sem combustíveis fósseis no futuro. No Brasil, a ampliação das políticas para introdução de fontes alternativas de energia e o desenvolvimento do setor de biogás cria um cenário favorável para a construção da cadeia “Power to X” em torno do metano e dióxido de carbono presente no biogás. A partir desses componentes pode-se, através do processo de reforma catalítica, produzir uma variedade de compostos químicos, essenciais para a indústria brasileira e combustíveis renováveis para o setor de mobilidade, além disso o hidrogênio pode ser produzido a partir do biometano, não só a partir do biogás.

Desenvolvimento da cadeia

A parceria firmada entre o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) e o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), com cooperação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), busca integrar o movimento de desenvolvimento da cadeia PtX no Brasil e pretende viabilizar tecnologias escalonáveis que utilizem o biogás como principal matéria-prima para a produção de hidrogênio verde e hidrocarbonetos renováveis importantes para a nossa economia, como o diesel e o bioquerosene de aviação.

Além de contribuir com a neutralidade climática, a oferta inédita desses produtos renováveis contribuirá para a diversificação do portfólio do biogás, fortalecendo ainda mais a ampliação da cadeia deste energético no território nacional e oportunizando a abertura de novos mercados.