Como o biogás pode contribuir para a preservação do meio ambiente? A preservação da biodiversidade e o gerenciamento de resíduos de forma inteligente melhoram os impactos causados no ecossistema. Afinal, o fornecimento de recursos para a sobrevivência humana é essencial e o biogás se apresenta como solução, uma vez que pode contribuir substancialmente para a preservação do meio ambiente e qualidade de vida. 

O biogás faz parte desse processo e vem tendo uma atuação significativa ao longos dos anos em todo o mundo, e no Brasil ele vem crescendo e fortalecendo práticas sustentáveis com a geração de energia limpa e renovável.

Esta fonte alternativa de energia ajuda a reduzir os impactos da gestão indevida de resíduos. O biogás é um fonte diversa – devido às vantagens da decomposição de matérias orgânicas de origem vegetal ou animal, capazes de produzir uma mistura de gases. É notável o impacto ambiental de forma postiva e nesse sentido, lançamos a pergunta: como o biogás pode contribuir para a preservação do meio ambiente?

A maior floresta tropical

O Brasil tem a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia. Sua biodiversidade é o que a destaca dentre outros ecossistemas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), ela abriga a maior bacia hidrográfica do mundo com 6 milhões de km2 e tem 1.100 afluentes. A floresta vive apenas a partir de seu próprio material orgânico, o que a vulnerabiliza a qualquer ação causada pelo homem, danos que podem a prejudicar de modo irreversível. 

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em 2019 houve uma estimativa de 29,54% no aumento da taxa de desmatamento para os nove estados da Amazônia. O número representa 9.762 km² em relação ao mês de agosto de 2018. Apesar de ter a maior cobertura vegetal do mundo, o Brasil ainda lidera o desflorestamento. 

Por isso, a importância de preservar essas reservas é tão importante, o ar; a água; os alimentos e a energia que consumimos, não passam de derivados dessa interação homem e natureza. Portanto, concluímos que sem as plantas, não haveria oxigênio, sem os insetos e outros animais, não teríamos colheita para diversos alimentos e sem os fungos, a decomposição não aconteceria. 

Grande emissão de GEE

Biogás e meio ambiente

Desde a era industrial, a quantidade de dióxido de carbono na terra aumentou 35%. (Dados: MMA).

Com esse panorama sobre a biodiversidade no Brasil e sua exploração, não podemos deixar de destacar a grande emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE). Causado pela urbanização das cidades e composto por dióxido de carbono (CO2) ele surge a partir dos processos de combustão. Isto é, na queima de combustíveis fósseis como carvão, gás natural e petróleo. Desde a era industrial, a quantidade de dióxido de carbono na terra aumentou 35%. (Dados: MMA).

Essa emissão descontrolada devido aos processos industriais, alto tráfego de veículos e desmatamento, apenas reforça a consequência do aquecimento global. Apesar dos fenômenos naturais, o maior causador do aquecimento se dá pelas ações antrópicas. Portanto, com a baixa qualidade do ar, devido a esses comportamentos que vulnerabilizam a natureza, o problema volta para o ser humano. A baixa qualidade desses recursos, além de afetar diretamente a natureza, não deixa de atingir a qualidade de vida dos habitantes da Terra.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), os poluentes atmosféricos podem provocar ou agravar aspectos da saúde, capaz de aumentar o número de casos de doenças respiratórias, oculares e cardiovasculares. A alta exposição à poluição aos que residem em regiões metropolitanas, além da possibilidade de desenvolver problemas crônicos, podem diminuir a expectativa de vida em até dois anos para problemas de médio e longo prazo. Uma média de 15 a 30 anos vivendo em locais com alta exposição. 

Devemos substituir o carvão? 

Biogás e meio ambiente

Estimativas apontam que o carvão acomete cerca de  30% e 35% do total de emissões de CO2

O carvão aumenta o desmatamento, uma vez que as árvores são cortadas para a produção do carvão vegetal que são carbonizados a partir da lenha. Além disso, as emissões causadas por essa material, também consideram um aumento significante da poluição ambiental. Os gases de efeito estufa, representam esse aumento, o que consequentemente afeta de diversas formas o meio ambiente. O carvão é uma das formas mais agressivas de produção de energia. O seu processo de produção, extração até a combustão, provocam impactos socioambientais demasiadamente desagradáveis. 

Muito usado em áreas rurais, em indústrias e agroindústrias, o carvão vegetal ou mineral tem grande potencial para ser transformado em calor. Porém como ele contém uma grande incidência de carbono e um elevado nível de impurezas, o mineral acaba desfavorecendo os planos sustentáveis para o cuidado do planeta. Estimativas apontam que o carvão acomete cerca de  30% e 35% do total de emissões de CO2, mostrando-se o principal agente do efeito estufa. Portanto, a troca de alternativa para a produção desta energia, faz-se mais do que necessária. 

Um estudo da Organização Mundial da Saúde – (OMS), indicou que a cidade de São Paulo gasta por ano, cerca de R$ 208 milhões no tratamento de doenças respiratórias geradas pela poluição do ar, número que deve ser considerado, diante dos prejuízos ambientais causados pelo homem. 

Biogás e meio ambiente: Um aliado do calor sustentável

Com o carvão sendo substituído por alternativas mais sustentáveis, a cadeia do biogás encontra uma chance para estabelecer políticas mais amigáveis ao meio ambiente. Hoje, a energia térmica que provém do biogás pode ser consumida para cocção, como fonte de chama para os fogões domésticos; aquecimento de água (chuveiro, torneiras, etc); e aquecimento residencial. Tudo isso sem prejudicar o meio ambiente, sendo possível também a sua substituição no uso industrial e agropecuária evitando o uso do carvão. Nesta situação, especificamente, vemos a oportunidade de preservação das florestas energéticas pela produção de biofertilizantes a partir da biomassa e minimização do desmatamento para a produção de lenha.

Após o processo no biodigestor, temos o digestato que pode ser transformado em fertilizante. Outro produto proveniente do biogás. O digestato (processamento da matéria orgânica de origem vegetal ou animal que resulta na geração de um gás capaz de produzir energia) também consegue contribuir no aumento da produtividade das florestas energéticas.

Nesses casos o digestato entra como um condicionador de solos, oferecendo matéria orgânica, macro e micronutrientes que podem aumentar a produtividade de biomassa vegetal. O biogás substitui a lenha, as caldeiras, fornos e outros locais que necessitam do uso desse material. Para suprir essas necessidades, os equipamentos são adaptados para o uso de gás. 

Biogás e meio ambiente

Biogás e meio ambiente: O aproveitamento energético da biomassa florestal na região Oeste do Paraná é voltado ao suprimento de energia térmica

Mas o que são as florestas energéticas?

Bom, as florestas energéticas são o resultado de um plantio adequado para o suprimento energético. Isso acontece porque muitas terras não são propícias para a agricultura. O reflorestamento com intenção de fornecimento de energia, pode ser uma boa opção para o uso de terras degradadas, diminuindo a pressão sobre as florestas nativas que acabam sendo destruídas para a aplicação da lenha como vimos acima. 

As florestas precisam ter vocação para o suprimento energético e os eucaliptos são mais adequados para esse plantio. Nessas ocasiões para a produção de carvão vegetal, as espécies mais comuns são as do Eucaliptus urophilla e Eucaliptus camaldulensis, Eucalyptus grandis, Eucalyptus. citriodora, Eucalyptus saligna e espécies híbridas, como Eucalyptus urograndis, Eucalyptus urophilla, Eucalyptus grandis, derivadas de cruzamentos.

Daiana Gotardo, engenheira ambiental atuante no CIBiogás e consultora da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial – (UNIDO) conta sobre a importância de ações para o cuidado com essas florestas:

“A preservação florestal e de toda a biodiversidade é fundamental para que consigamos garantir a qualidade do solo, do ar e dos recursos hídricos. O digestato ele consegue contribuir, como um condicionador de solos retornando nutrientes para as florestas energéticas. O biogás substitui toda essa necessidade de lenha e consegue manter de pé algumas florestas evitando que algumas árvores sejam cortadas.”

Desta forma, o biogás acaba facilitando a preservação do meio ambiente.

Atuação sustentável no Paraná

Cerâmica Stein, localizada em Entre Rios do Oeste – PR

Cerâmica Stein 

Pensando na substituição térmica, tiramos a lenha e inserimos o gás, substituição de fonte. As agroindústrias e fecularias do Paraná, algumas usavam muita lenha e então começaram a produzir biogás com efluente do processo industrial. Devido a ação, algumas zeraram a necessidade de comprar lenha e conseguiram fazer essa substituição, usando o biogás na caldeira. 

Cerâmica Stein 

A indústria cerâmica Stein destacou-se como atividade oor comportar o sistema de conversão de biogás em energia térmica no Programa Entre Rios do Oeste – Saneamento Ambiental Energeticamente Sustentável. Este processo produtivo da olaria, demandava um alto consumo energético quando utilizava o combustível provido da lenha. Por isso, a escolha desenvolvimento da tecnologia de abastecimento energético a partir de bioenergia na cerâmica, almeja a alta demanda por biomassa do gênero lenhoso e sua localização fatores determinantes em sua escolha.

A proposta de utilização de biometano implicou diretamente no preço de seu produto. A ação aumentou a sua competitividade no mercado e tornou o processo produtivo mais sustentável. Para a eficiência do projeto, houve uma adaptação do forno para que o mesmo opere de forma híbrida, sem que haja a necessidade de remoção do sistema de queima do biogás. O posicionamento do queimador instalado, não prejudicou a homogeneidade do abastecimento por serragem.

Manual de Plantio de Florestas Energéticas Descentralizadas

Com o mesmo objetivo, o CIBiogás em conjunto com a Itaipu Binacional e apoio do Parque Tecnológico Itaipu – (PTI), Unicentro, Universidade Tecnológica Federal do Paraná – (UTFPR), C.Vale e Embrapa Florestas, lançaram o Manual de Plantio de Florestas Energéticas Descentralizadas. O material faz parte de uma série de documentos técnicos publicados pelo Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás). O material visa ampliar os conhecimentos sobre as fontes de renováveis de energia e sustentabilidade no setor energético.

Iniciado em 2012 e executado na cidade de Marechal Cândido Rondon – PR,  o documento traz todos os passos para a prática do plantio, a fim de fomentar a aplicação no agronegócio principalmente na região em que a biomassa florestal tem grande potencial como fonte de energia para os processos produtivos de suínos, aves, leite e grãos, como soja e milho. 

Quer saber mais? Acesse o manual e leia-o na íntegra.

Com isso, concluímos que quanto mais alternativas existentes no mercado para reduzir a exploração de recursos que prejudicam o meio ambiente, sendo o biogás uma das ideais. A realidade de otimização da qualidade de vida fica cada vez mais próxima, e não só os setores envolvidos as energia renováveis saem ganhando, mas todos os que impulsionam a ideia de um planeta menos poluído e mais democrático sustentavelmente falando, e o CIBiogás apoia com todas as forças essa proposta.