O 3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano começou de um jeito diferente esse ano. Após a confirmação do evento presencial apenas em 2021 devido ao novo coronavírus, os organizadores do evento decidiram impulsionar os interesses sobre essa fonte renovável de forma online. A gestão de resíduos é um assunto urgente para a criação de mais políticas públicas . Assim, aproveitar integralmente a energia proveniente dos resíduos urbanos sólidos e orgânicos se torna uma realidade cada vez mais próxima. 

Por isso, o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, realizou o webinar de pré evento do 3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano. As transmissões foram feitas nos dias 9, 10 e 11 de setembro no YouTube. Além deste conteúdo, você também pode conferir a série de webinars integralmente no canal do Fórum. 

Confira os respectivos temas: 

 ESTAMOS DESPERDIÇANDO ENERGIAS RENOVÁVEIS EM FORMA DE ESGOTO E LIXO URBANO?

COMO TORNAR UMA PLANTA DE BIOGÁS NO AGRONEGÓCIO MAIS EFICIENTE E LUCRATIVA?

BIOGÁS NO BRASIL: QUAIS OS AVANÇOS E PERSPECTIVAS DE FUTURO?

Foram 6 horas de conteúdo com 14 especialistas, mais de 300 espectadores ao vivo com perguntas e contribuições sobre o setor de biogás no Brasil. Agradecemos o prestígio e aguardamos todos no evento presencial em março e abril de 2021. 

DIA 1 – Estamos desperdiçando energias renováveis em forma de esgoto e lixo urbano?

O primeiro dia do webinar contou com a presença do professor José Jucá da Universidade Federal de Pernambuco –  UPE; da professora Maria Bernardete da Universidade de São Paulo – USP e da Me. Gabriela Otero, coordenadora técnica da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE.

A fim de incentivar os estudos e políticas públicas sobre a gestão de resíduos, os palestrantes focaram nesta temática. Afinal, estamos desperdiçando energias renováveis em forma de esgoto e lixo urbano? 

A professora Maria Bernadete iniciou o evento online do 3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano com os processos fermentativos e metanogênicos, usando resíduos sólidos, água residuária e esgoto doméstico. Trouxe as tendências para estimular essa alternativa que visa a exploração de resíduos agroindustriais como fonte de energia renovável em reatores anaeróbios.

Desta forma, as novas tecnologias poderão contribuir para a recuperação dos materiais orgânicos. A co-digestão está sendo cada vez mais estudada e desenvolvida para suprir a necessidade de biogás e a obtenção de biogás e ácidos orgânicos a partir desse processo, será um grande avanço para o setor.

Confira alguns resíduos para realizar a co-digestão de acordo com a pesquisadora:

  • Casca de café e polpa;
  • Bagaço de cana de açúcar;
  • Casca e bagaço de laranja;
  • Casca de banana;
  • Bagaço de malte; 
  • Água residuária.

País com grande produção de rejeitos

O Brasil é um dos maiores produtores na aplicação de rejeitos que podem produzir biogás. O país também é produtor mundial de cana de açúcar, muito usadas na ração animal. Entre 2019 e 2020 590,36 milhões de toneladas de cana produzidas na região Centro-sul.

O desperdício das frutas e vegetais criam uma ótima oportunidade para obtenção do biogás através dos reatores biológicos. O Brasil hoje também é um dos maiores produtores de banana e o terceiro maior produtor de cerveja (12,4 bilhões de litros). “A cada 100 litros de cerveja são produzidos de 14 a 20 kg de bagaço de malte” diz a professora Maria Bernadete. O malte pode ser usado para a produção de ração animal e aplicado no fornecimento de alimentos o que evita o seu descarte no ambiente. 

A co-digestão

Além disso, os resíduos da indústria citrícola podem ser aproveitados a partir da sua degradação e aplicação dos resíduos sólidos ou líquidos na co-digestão, assim o biogás será melhor aproveitado. Hoje, nós temos a possibilidade de aplicar esgoto domésticos nestes resíduos a fim de conseguir obter relações carbono e nitrogênio favoráveis ao processo. 

 

No pré tratamento será preciso o rompimento dos resíduos lignocelulósicos para favorecer a hidrólise e fermentação. Dentre os pré tratamentos temos os físicos químicos e biológicos para esse processo, será importante a caracterização dos resíduos. Entender a complexidade desse resíduo será necessário para a obtenção do biogás. 

Aproveitamento energético de biogás de resíduos sólidos urbanos 

O professor Jucá, da UPE citou no webinar do 3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano o acordo de Paris e as mudanças climáticas que também motivam a gestão de resíduos.

A implementação de resíduos sólidos é capaz de diminuir as devastações climáticas, isso com a área da gestão de resíduos. Esse projeto é dividido em 4 fases e tem como objetivo a promoção de reaproveitamento de rejeitos e reciclagem. Uma tecnologia avançada que suporte essa demanda será necessária. A matéria orgânica, a maioria das cidades brasileiras possuem uma fração orgânica de 50% destinada aos aterros sanitários, gerando apenas um aproveitamento de 0,03% da fração orgânica em compostagem, diferentemente de muitos países. 

O rendimento energético é muito grande, possibilitando uma grande captação de gás. Com os resíduos orgânicos e não orgânicos, temos um um rendimento próximo à 30% nos aterros. Com  uma tonelada de resíduo é possível gerar 90 – 10Nm³ biogás. 

O Brasil tem crescido nos resíduos sólidos urbanos, mesmo assim o país abriga muitos lixões. No total de 5.570 municípios, apenas 40,2 % são atendidos por aterros sanitários, 31,8% por aterro controlado e 28% por lixão.

Como acontece a decomposição nos lixões?

Os aterros trabalham através uma atividade microbiana, geração de gás de chorume, captação de drenagem, de gases e aproveitamento energético. A partir da observação do depósito de resíduos com um biorreator o processo libera o metano e gás lixiviado e tudo isso poderia ser melhor aproveitado. O metano, por sua vez, teria mais chances de ser comercializado.

Possibilidades de comercialização do metano 

Eletricidade

  • Venda em leilões; 
  • Venda no mercado livre; 
  • Autoprodução; 
  • Geração distribuída. 

Biometano

  • Injeção na malha de GN. 
  • Compressão e venda;
  • Venda como GNV;
  • Uso GNV em frota própria. 

Resíduos sólidos orgânicos: metade do problema ou metade da solução?

Gabriela Otero trouxe ao debate os resíduos sólidos como metade do problema e metade da solução neste cenário. De acordo com a Abrelpe, a geração de resíduos conta com 216 mil toneladas por dia, com uma coleta de 199,3 mil toneladas diariamente. Mesmo que tenhamos 60% coleta do sistema sanitário, a política ainda não é sustentável porque a prioridade está sendo os resíduos ao invés de levarmos os rejeitos para os aterros.

Para impulsionar cada vez mais essa mudança nas políticas será necessário a junção de dados. Os municípios declaram 3% pela coleta seletiva formal, mas é importante ter informações sobre a informal, a fim de reportar o total factível para um planejamento de gestão que visam iniciativas de compostagem e digestão. Esse processo é demorado e nem sempre sai como esperado, uma vez que a inadimplência do serviço público acaba prejudicando o andamento de dados. A gestão linear, neste caso, não traz com exatidão um número total que possa contribuir no andamento dessas políticas. 

Alguns pontos que devem ser avaliados sobre a gestão de resíduos no Brasil e como novas políticas devem ser incentivadas para impulsionar a melhora desse cenário:

Negativos

  • 3 mil lixões e aterros controlados ativos; 
  • Mais de 76 milhões de pessoas afetadas; 
  • Custo ambiental e social de R$ 14 bilhões;
  • Inadimplência de municípios com limpeza pública chega a R$ 8 bilhões; 
  • 69,6% das cidades com alguma coleta seletiva de secos; 
  • Emissões de Gases de Efeito Estufa cresceram 24% nos últimos 10 anos. 

Positivos:

  • Cuidar da fração orgânica é resolver metade do problema; 
  • Transversalidade com outras áreas-chave da sociedade; 
  • Coleta seletiva da fração orgânica = melhora da fração seca; 
  • Novos negócios, geração de emprego e renda; 
  • Mitigação das emissões de metano e carbono negro; 
  • Valor agregado em produtos.

Dia 2 – Como tornar uma planta de biogás no agronegócio mais eficiente e lucrativa? 

O tema da quinta-feira (10) no 3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano reuniu 3 debatedores para dar luz às oportunidades de Como tornar uma planta de biogás no agronegócio mais eficiente e lucrativa. O Dr. Airton Kunz (EMBPRA Suínos e Aves) foi o moderador desta conversa com o Dr. Odorico Konrad (Universidade do Vale do Taquiri – UNIVATES) apresentando o “Aproveitamento de Resíduos Agroindustriais”, com o Dr. Ricardo Steinmetz (EMBRAPA Suínos e Aves) que apresentou o tema “Como produzir mais biogás?”, e com André Holzhacker da ASTAP – Associação dos Suinocultores do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, que trouxe “A experiência de Minas Gerais com biogás na pecuária”. 

Aproveitamento de Resíduos Agroindustriais – biogás

O Dr. Odorico Konrad, no tema “Co-digestão e Resíduos Agroindustriais”, comenta que é preciso considerar o volume de resíduos orgânicos produzidos pelo agronegócio e pensar como conseguimos trazer oportunidades focando nos resíduos à disposição no local, mesmo que  diferentes, para aproveitar como incremento, com qualidade e quantidade de produção de biogás. “O agronegócio no Brasil tem uma dinâmica muito forte e com certeza vai avançar significativamente nos próximos anos”. 

O pesquisador explica que a co-digestão para produção de biogás pode gerar quantidade e qualidade, mesmo com as diferentes características dos substratos. Os pesquisadores buscam, no Laboratório da UNIVATES, com produzir mais biogás de uma forma mais saudável. Centro de Pesquisa em Energias e Tecnologias Sustentáveis. “Temos uma tendência significativa na produção de resíduos e que é preciso olhar com cuidado principalmente para tratamento e reaproveitamento para os cuidados das questões ambientais”. 

O início do entendimento se dá pela compreensão das origens das biomassas residuais, principalmente da região, como:

  • Dejetos de animais;
  • Lodos de ETE;
  • Borras e óleos residuais
  • Resíduos Hortifrutigranjeiros
  • Resíduos de frigoríficos e laticínios
  • Co-digestão de biomassas 

Analisando esses dejetos mixados, a intenção é olhar a condição dos materiais 

Como é feito? 

1 – Pelo estudo de substratos em uma escala que possa ser testado em grande diversidade com biorreatores. No laboratório, o cuidado, e a manutenção dos biorreatores podem interferir nos resultados de produção de biogás.

2 – Reatores piloto, dentro da universidade: os resultados alertam para que a diversidade da atividade agrícola e também do beneficiamento dos produtos de atividade agrícola traga uma resposta econômica mais plausível para aplicação do biogás.

Odorico provoca o público para pensar: como produzir biogás com os dejetos que já existem em cada região, e pensar como produzir mais biogás com o que já existe. 

“Olhando o mix, a gente não perde e tem uma resposta saudável”

Com o mix de resíduos oriundos do ambiente, ele comprova a possibilidade de produção de um maior volume de biogás com resíduos locais como o lodo, lodos e sangue, padrão de celulose. O professor afirma que é preciso pensar em um mix mas não podemos deixar de lado o potencial da mistura. Uma vez que a produção precisa trazer a resposta do biogás e também de biofertilizante. O debatedor também trouxe projetos que estão em andamento que é a planta de Estrela, onde já existe a produção de biogás em co-digestão e também a produção de uma composteira. 

3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano: Como produzir mais biogás?

O Dr. Ricardo Steinmetz (EMBRAPA Suínos e Aves) apresentou o tema “Como produzir mais biogás?”. Demandas de projetos novos, ou antigos que já estão em produção, mas que por questões simples não estão com uma produção tão eficiente. “Precisamos alcançar e aplicar o conhecimento”.

Ele cita 4 fatores fundamentais: 

  • Atenção ao substrato: conhecer esse substrato a fundo, ter apoio laboratorial para dimensionamento das plantas; 
  • Demanda energética: compreender qual a demanda energética da região para correto planejamento da planta; 
  • Tipo de tecnologia: para utilizar a que vai trazer a tecnologia que vai trazer melhor produção; 
  • Adequado a capacidade de investimento e retorno (CAPEX / OPEX)

Assoreamento do biodigestor

A tecnologia deve promover a possibilidade de evitar problemas como o Assoreamento do biodigestor. O assoreamento do biodigestor é quando acontece o acúmulo de matéria. Ou seja, o resíduo orgânico que entra, menos o que sai, menos o que foi consumido resulta no acúmulo de resíduos.  Este assoreamento prejudica o volume de produção de biogás, o que impacta na queda do potencial de produção ao longo das atividades da planta. Por isso a escolha da tecnologia é fundamental para essa produção adequada de biogás.

Cama de frango, carcaças ou outras biomassas em co-digestão são possíveis, entretanto Ricardo lembra que é importante pensar na carga de Nitrogênio, uma vez que como resultado do biogás é o digestato que não pode perder a sua característica rica em nutrientes. “A carcaça de suínos tem muita proteína. O que pode gerar uma queda considerável na carga de Nitrogênio”. 

A experiência de Minas Gerais com biogás na pecuária

André Holzhacker da ASTAP – Associação dos Suinocultores do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, trouxe “A experiência de Minas Gerais com biogás na pecuária”. Inicialmente apresentou o case da planta piloto de Biogás da Auma Energia, em Patos de Minas (MG). São 85.235 matrizes – com cerca de 36 milhões de cabeças de porco na região mineira. 

 

3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano

A base de suinocultura, é um “laboratório-vivo” da região, em escala real, com teste de tecnologias. Planta híbrida de solar com biogás. 

Contexto de simbiose, em economia circular. 3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano

André citou os atributos do biogás que são: 

  • Energia flat; 
  • Com diversos pontos de geração distribuída com biogás, pode melhorar a qualidade da rede da concessionária; 
  • Despachabilidade; armazenamento do biogás para acionamento quando melhor convir.

Trouxe o case também de São João da Ponte (MG), da Planta piloto de biometano AUMA – Patos de Minas para Biometano. E Biofertilizantes para compostagem, com composto ensacado e a fertirrigação. 

O debate abordou a história dos biodigestores, oportunidades e pontos de vista com relação a sustentabilidade dos projetos de biogás no Brasil. Questionaram sobre a presença do Fósforo (P) dentro das avaliações de nutrientes nos digestatos. Os debatedores acreditam que ainda há uma grande necessidade de aprofundamentos em estudos nas aplicações do digestato. 

Os debatedores comentaram ainda sobre o uso de carcaças em co-digestão para os riscos sanitários e as orientações legais para produção de biogás. Alertaram a respeito da importância da biosegurança com a questão sanitária na suinocultura e avicultura. A respeito da co-diestão comentaram sobre o mix de resíduos da cana de açúcar com outros dejetos com a suíno, bovino e avicultura. 

Dia 3 – Biogás no Brasil: Quais os avanços e perspectivas de futuro?

Os impactos ambientais começaram a chamar a atenção em 1972  e desde então vemos políticas voltadas apenas para esse segmento a fim de melhorar a qualidade de vida dos seres humanos e prolongar a vida da Terra. Ao longo dos anos as formas de tratamento de biogás, principalmente, foram aprimoradas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e foi com as estratégias para produção de biogás de resíduos sólidos urbanos que o Dr. Luis Felipe, especialista em resíduos e biogás na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial – UNIDO iniciou o 3° dia de webinar. 

3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano

Com esse desenvolvimento, temos à frente a evolução dos processos de tratamento do biogás a fim de minimizar a expectativa de redução de emissões de GEE. A modernização contou com na transformação dos flares abertos em flares fechados aprimorando os equipamentos, sistemas e processos. A partir deste momento, temos o lançamento de grandes projetos de energia elétrica à nível mundial. Como exemplo, Luis nos fala sobre o Aterro Bandeirantes e o Aterro São João, localizados em São Paulo. As iniciativas foram pontos chave para começar a entender o que é necessário para conseguir otimizar a produção de biogás neste tipo de local. Esses projetos foram capazes de desencadear até novas políticas para impulsionar o setor como a Política Nacional de Resíduos Sólidos que impulsionou a movimentação desse tipo de planejamento no setor.

Luis enfatiza a mínima reciclagem de orgânicos e como o plano nacional influencia na melhora dessa coleta de toda massa de resíduos nacional para o tratamento biológico que hoje é de 0,3%, mas que pode aumentar em 13,5% até 2040. Por isso, a expectativa para o futuro da alternativa será capaz de realizar um processo tecnológico de digestão anaeróbia ou metanização da matéria orgânica. Visando sempre a redução do descarte dos resíduos e respeitando as obrigatoriedades para grandes geradores. 

3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano: Geração de energia e microgrids

Em seguida, Maycon Vendrame, engenheiro eletricista na Itaipu Binacional, comentou sobre a Geração Distribuída e os Microgrids. A região Centro Oeste do Paraná tem uma forte presença no agronegócio nacional e a produção é bastante pulverizada. Nesta geração de resíduos é possível o surgimento do biogás e consequentemente, a partir de um planejamento, energia elétrica. Os projetos de biogás envolvem uma cadeia muito grande e complexa e por isso a partir das grandes produções nas propriedades torna-se necessário um processo articulado que flexibilize a ligação entre todos os responsáveis.

Central de Bioenergia de Toledo

Pensando na concretização de uma planta, Maycon conta que o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento na Central de Bioenergia de Toledo, o município no Brasil com mais suínos, passando 1 milhão de animais na cidade. Com os resíduos da suinocultura e agroindústria o grande desafio e objetivo é a criação de um modelo que tenha viabilidade econômica do projeto para que o setor elétrico consiga minimizar a tarifa para o consumidor. 

3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano

A grande oportunidade derivada da Central de Bioenergia de Toledo, será conseguir valorizar as externalidades positivas, sejam elas ambientais, ou de geração de energia firme com o biogás. Os microgrids por sua vez, vem como forma de digitalização do sistema, determinando um arranjo técnico viável de microrredes facilitando o abastecimento de diversas propriedades com uma boa segurança energética nas áreas rurais. Desta maneira, tem-se algumas perspectivas que deverão ser avaliadas para o setor, como:

  • A revisão da Resolução Normativa 482/2012;
  • O Novo Marco Regulatório do Setor Elétrico;
  • O Plano Decenal de Extensão; 
  • Plano Nacional de Energia (PNE 2050); 
  • Transição Energética.

As perspectivas relacionadas à produção e viabilização da fonte são de curto, médio e longo prazo e devem suprir de modo satisfatório a democratização do biogás no Brasil.

Estratégias de uso de biometano em companhias de gás canalizado 

O Dr. Hugo Figueiredo, presidente da Companhia de Gás do Ceará- Cegás iniciou a terceira palestra do último dia relatando o papel da Companhia neste mercado. Em 2018, a Cegás tornou-se a primeira distribuidora de gás do Brasil a adquirir e injetar gás natural renovável em sua rede. Hoje a empresa tem uma rede de distribuição que está conectada com o fornecimento de gás natural renovável a partir de aterro e com uma mistura de gases fornecidos à todos os clientes do segmento não térmico. Atualmente a companhia possui um dos maiores percentuais do mundo de gás natural renovável em relação ao volume distribuído. 

Gás Natural Renovável

O Dr. Hugo também abordou o papel do Gás Natural Renovável – GNR em relação à pandemia do coronavírus, que antecipou um novo posicionamento gás no mercado, uma vez que houve a queda na demanda por combustíveis que consequentemente alterou as ofertas e os estoques de petróleo e gerou a queda no preço do petróleo e do gás natural convencional. 

Visando as perspectivas para o futuro, foram listadas as principais decisões das distribuidoras de gás canalizado. A parte de construção e operação visa o desenvolvimento da rede assegurando o suprimento e a comercialização passa pelo manejo da precificação não diferenciada, que influencia no tipo de entrega e contratação do cliente.

3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano

Por fim, Dr. Hugo acredita que o estímulo do crescimento do uso do biogás no Brasil depende de propostas que:

  • Incentivem os projetos de pesquisa e desenvolvimento;
  • Desenvolvem os fornecedores locais de equipamentos e serviços especializados; mapeamento do potencial de produção e uso do biogás;
  • Promovem o potencial de mercado para investidores;
  • Desenvolvem opções viáveis de governança para novos projetos por fonte;
  • Reduzem a burocracia no licenciamento de projetos de produção; 
  • Acelerem o registro de novos equipamentos a GN;
  • Estimulem ao desenvolvimento da geração distribuída de energia e a expansão contínua da rede de distribuição de gás. 

Mercado Brasileiro de biogás e biometano 

Para finalizar o evento, Tamar Roitman, gerente executiva da Associação Brasileira do Biogás – ABiogás falou sobre as perspectivas para o mercado brasielrio de biogás e biometano. 

Em 2019 o Brasil contabilizou mais de 500 usinas de biogás, um crescimento de 36% em relação ao ano anterior. O principal substratos gerenciado são os resíduos sólidos municipais e esgoto tendo com a maior aplicação na energia elétrica. As perspectivas para o futuro, esperam um grande leque de produtos a biogás, porém ainda temos uma fração muito pequena na oferta interna de energia, mas que vem avançando a cada ano. O ambiente regulatório já estabelecido, colaborou com o constante desenvolvimento da matriz energética brasileira. 

Geração descentralizada

Como o biogás é capaz de originar diversos produtos, é importante priorizar essa fonte como forma de desenvolvimento do país, democratizando também o uso dos insumos dessa fonte. Porém, é necessário discutir a geração descentralizada, que visa a colocação de gasodutos suficientes para acolher a quantidade de biogás produzido no país, com foco atualmente no interior das cidades, assim, será possível garantir o acesso de forma correta e uma infraestrutura nova que vá além do litoral. Hoje, o brasil utiliza apenas cerca de 2% do potencial brasileiro de produção de biogás, apesar da alternativa estar em constante desenvolvimento. O ambiente regulatório favorável, impulsiona essa fonte que há de transformar o futuro do Brasil e do mundo. 

3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano

3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano

O 3° Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano foi realizado pelo CIBiogás, pela Embrapa Suínos e Aves e UCS Oficial. A organização foi feita pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial – SBERA. Agradecemos a todos os espectadores e especialistas que participaram da transmissão.

Quer mais? Inscreva-se no 3º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano e participe do evento presencial nos dias 29 de março a 01 de abril de 2021. Acesse: www.biogasebiometano.com.br .