Os debates do último dia do 1º Workshop Internacional de Inovação em Biomassa, que começou na quarta-feira (14/03) e terminou nesta quinta-feira (15/03), no ISI Biomassa (Instituto Senai de Inovação em Biomassa), em Três Lagoas (MS), giraram em torno de temas como biotecnologia, Indústria 4.0 e fomento de projetos de inovação em biomassa.

O diretor de desenvolvimento tecnológico do CIBiogás, Rafael Gonzalez, abriu o ciclo de palestras do último dia de evento, falando sobre o cenário de biogás e biometano no Brasil, principalmente focando no aquecimento do mercado. “Existem polos de produção de biogás e biometano no país, principalmente no Sul e no Centro-Oeste, onde há criação de gado de confinamento, avicultura e suinocultura, fora as agroindústrias. Esse é um mercado que está se aquecendo e quando eu trato isso, eu causo na região um desenvolvimento da economia, porque eu preciso de profissionais nessa área e também tem a questão ciclo-ambiental”, explanou.

Com a palestra “Conversão de Biomassa Lignocelulósica: A Plataforma Bioquímica da Refinaria”, o professor-doutor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Nei Pereira Junior, abordou as biorrefinarias com base em biomassa residual. “A indústria química hoje usa petróleo, nós propomos o uso de material renovável. Poderia hoje produzir virtualmente a partir da biomassa tudo o que já é produzido usando o material fóssil. Posso produzir essas moléculas todas em nível de commodities sem usar petróleo”, ressaltou.

O diretor técnico da ABBI (Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial), Thiago Falda Leite, destacou a biotecnologia como parte da quarta revolução industrial. “Quatro eventos são propiciaram a quarta revolução industrial: aumento do número de dados, surgimento de análises e novos processos de negócios, novas formas de interação entre seres humanos e máquinas e melhoria das transferências das informações digitais para essas máquinas. Com todas essas tendências ocorrendo simultaneamente, a biotecnologia tem capacidade de gerar quantidade absurda de dados”, argumentou.

Para debater o fomento a projetos de inovação, o gerente de tecnologia e inovação do Departamento Nacional do Senai, Fábio Pires, apresentou como fazer a interação entre grandes empresas e startups, destacando o Edital Senai de Inovação. “É importante que a grande empresa comece a olhar para a pequena como agente de inovação externo. Hoje o Edital de Inovação, que existe desde 2004, é o único instrumento que conecta essa grande empresa com as startups numa tecnologia não madura ou um conceito inicial do projeto”, afirmou.

 Na avaliação da diretora do ISI Biomassa, Carolina Andrade, os debates foram bastante positivos, contribuindo para a geração de inovação. “Tivemos adesão de várias empresas do segmento sucroenergético, papel e celulose, cosmético, químico, elétrico. São empresas que estão interessadas nos processos de transformação de biomassa, seja para gerar energia, seja para gerar novos produtos químicos e que contribuíram para discussões riquíssimas”, afirmou.

Abordando o mesmo tema, o diretor de operações da Embrapii, Carlos Eduardo Pereira, pontuou as instituições credenciados pela instituição. “A Embrapii tem recursos para investir em inovação, mas primeiro é necessário haver uma demanda da indústria, procurando tornar a indústria mais competitiva. Nós existimos para fazer a ponte entre academia e empresa, mas sempre olhando o viés da demanda da empresa”, finalizou.

Repercussão

Na avaliação do diretor de inovação da Fibria, Fernando Bertolucci, o workshop foi bastante interessante principalmente por tratar das várias formas de aplicação da biomassa. “Acho que a grande vantagem é oportunizar esse tipo de discussão. O Brasil tem uma vocação natural de produção de biomassa e precisamos gerar mais valor a partir dessa biomassa. Um evento desses disponibiliza discussões extremamente interessantes para que a gente transforme essa biomassa”, considerou.

O coordenador de Biotecnolohia da GranBio, Osmar Netto, o evento promoveu uma ampla discussão sobre as diferentes formas de uso da biomassa. “Acho que foi extremamente produtivo. Nossa empresa já tem projetos em parceria com o Senai e acredito que, depois de ver as possibilidades de fomento à inovação nas indústrias, poderemos desenvolver outras parcerias, especialmente com o ISI Biomassa, que tem uma excelente infraestrutura”, reforçou.

Sócia da Hana Biocosméticos, Alane Beatriz Vermelho, comentou com o projeto que a empresa pretende desenvolver em parceria com o ISI Biomassa. “Já conhecemos a atuação do Insitituto e estamos trabalhando em conjunto num projeto de hidrolisados de proteína para cosmético capilar. Aproveitamos esse contato com o ISI para participar do workshop e acho que foi uma experiência muito rica”, concluiu.

 

Texto: AI/FIEMS

Fotos: AI/FIEMS

 

Resumo: 

 O diretor de desenvolvimento tecnológico do CIBiogás, Rafael Gonzalez, abriu o ciclo de palestras do último dia de evento, falando sobre o cenário de biogás e biometano no Brasil, principalmente focando no aquecimento do mercado.